A saga do Food Delivery

Pedir comida em casa, do seu restaurante favorito, não é nenhuma novidade que tenha surgido nos últimos anos.

Há quase 1 século, no Brasil, pedir comida pelo telefone é uma prática conhecida.

Muitos restaurantes e lanchonetes, ao serem criados, já se preparavam para receber os pedidos pelo telefone, e entregavam na casa dos “fregueses”, é claro que no início, a área de entrega era bem restrita, pela falta de mobilidade e pelas embalagens rudimentares. Dizem que nos primeiros “deliveries” as embalagens precisavam ser “devolvidas” depois.

Dando um salto na história, com a popularização da web, alguns desenvolvedores de sistemas, pensaram, “e por que não trazer isto para um site na internet ?” e com isto nasceram as primeiras páginas onde os consumidores podiam escrever seus pedidos, em mensagens de texto, e as mesmas eram enviadas por email, ou até mesmo por pagers, nos idos dos anos 90, e que tive a oportunidade de testar em conjunto com meu SnackControl (ainda em Clipper). Naquela época, a grande dificuldade era fazer os pedidos chegarem dentro dos Restaurantes, com velocidade e clareza.

Depois dos primeiros sites, no Brasil, começaram a surgir no inicio dos anos 2000, iniciativas de agrupar restaurantes em uma só página, como se fosse uma “praça de alimentação” — hoje muito conhecidos como MarketPlaces — mas naquela época, quando surgiu o RestauranteWeb, ainda não havia esta denominação, mas algo revolucionário estava por vir.

Ainda na primeira década de 2000, iniciativas como o Disk Cook — “pai” do @ifood — um agrupador de entregas para restaurantes com sua própria logística, antes usado apenas pelo telefone pelos consumidores, também ingressou nos pedidos pelo site, lembro que os pedidos chegavam as lojas por fax — usando o modulo de impressão do windows !

Muitas iniciativas surgiram neste mesmo tempo, fora do Brasil, como o GrubHub, JustEat, entre outros sites que fizeram história mundo a fora (até hoje). Em 2010, “euzinho” enveredei para este mercado, após vender a SnackControl para Bematech, resolvi criar o ComerNaWeb, um portal de reservas e delivery online. ComerNaWeb nasceu no começo de 2010, um pouco antes inclusive do Ifood ser lançado oficialmente.

Ainda em 2010 nasce o iFood aqui no Brasil, derivado dos empreendedores do Disk Cook, A partir deste momento a história já mais recente, muitos já acompanham há anos. iFood passa comprar alguns players menores, como RestauranteWeb, Central de Delivery (Recife), até se associar ao PedidosJá aqui no Brasil, que já tinha levado outros players como HelloFood — provavelmente estou esquecendo de alguns players que passaram pelo “front” do mercado. Até o ComerNaWeb sentou a mesa com o iFood, mas na época não achamos a proposta interessante..

Aquisições, falências, joint-ventures, e por ai o mercado foi se formando.

É muito importante olhar para aspectos como experiência do usuário, tecnologia de envio dos pedidos, e principalmente da logística por trás do delivery.

A alavancagem mesmo do delivery online veio com o advento dos smartphones e da ampliação ao acesso a internet mobile. Lá atrás, nos idos de 2010, os pedidos online brigavam não entre si, mas sim, com o telefone. Este era o maior concorrente de qualquer iniciativa digital — até porque sentar no desktop, ligar o computador, para pedir uma pizza, ainda era bem demorado — fora ter a certeza que seu pedido chegou no restaurante e que o mesmo vai preparar ainda era algo complexo nesta indústria.

Ao longo dos anos, a conexão com o Restaurante mudou. A medida que as lojas também passaram a estar online, por necessidades diversas, fosse o CFTV, fosse o acesso do suporte aos sistemas de automação, muitos restaurantes passaram a receber seus pedidos em aplicativos na tela do computador, com sinetinhas tocando, o que facilitou bastante a vida, tanto dos sites — e futuros apps — quanto dos restaurantes.

Mas a explosão do uso dos celulares no Brasil, a partir de 2014. foi o que realmente impulsionou o delivery online.

Uma vez que o consumidor estava com seu celular a mão, era muito mais fácil, entrar no app/site e fazer seu pedido, sem lutar com as linhas ocupadas, ou com a lenga-lenga de muitos atendentes, e assim, o fluxo dos pedidos passa a migrar do telefone comum, para o digital. Claro, que o massivo investimento em midia Offline & Online, de players como iFood, PedidosJá, entre outros, e a distribuição dos famosos “vouchers de R$10” aos montes, ajudaram bastante a este crescimento destes apps.

Vale apontar, que grande parte da penúria de portais menores — como o meu finado ComerNaWeb — foi a briga desigual de marketing e investimentos por mídia que grandes players fizeram, mas é claro, vencem os mais fortes. E assim, se deu.

Um outro ponto muito importante na expansão do delivery online foi o advento do pagamento online.

O canal delivery sempre sofreu dos “trotes”, e quando os apps surgiram, não foi diferente — ainda mais pela novidade. Como bastava preencher um cadastro — não confirmado em seu início — e fazer o pedido, muitos restaurantes sofreram prejuízos, e no início boicotaram esta iniciativa, deixando seus receptores de pedidos desligados — porém, quando os apps trouxeram o pagamento online para “frente”, ou seja, antes de preparar o pedido, mesmo com as taxas — um tanto abusivas — os restaurantes ficaram mais seguros. Este advento do pagamento online, de inicio trouxe um outro problema, que era o repasse entre aplicativo e restaurantes, uma vez que em média demoravam mais que os cartões crédito tradicionais e que atacava diretamente o fluxo de caixa dos restaurantes. Com o passar do tempo, muitos clientes começaram a optar por este formato, e como tudo na vida — quem manda é o consumidor — os restaurantes acabaram se adaptando.

Porém, o grande entrave dos restaurantes para expandir através do delivery é de fato a equipe de entrega.

Quando os primeiros portais começaram a oferecer o chamado “full service”, muitos restaurantes, pequenos e médios, optaram por este serviço.

O full service consiste em uma equipe de entregadores-parceiros, no estilo “uber drivers”, que ganham por entrega, sem maiores vínculos empregatícios — o que traz pra mesa uma “briga boa” com a lei trabalhista — onde o Restaurante paga uma taxa “gorda” para o aplicativo — na casa de 27 a 30% — e o portal fica responsável por toda logística e o restaurante só precisa preparar o prato, como se fosse uma venda “balcão”.

Tudo vinha crescendo num ritmo esperado, quando chegou a pandemia em 2020 e o delivery passou a ser o centro de todas as atenções no Food Service. A busca pelas plataformas explodiu. iFood passou de 90k restaurantes parceiros para mais de 200k parceiros. Todas as plataformas como Rappi, UberEats cresceram, inclusive 99Food, Delivery Much e AiqFome — esta última adquirida pela Magalu no inicio de 2021.

A pandemia mudou o ponteiro do delivery online, aumentou muito a preocupação com a logística de entrega — ampliando também o número de entregadores-parceiros — e a digitalização deste processo de logística com integrações entre aplicativos e sistemas de PDV cresceram num ritmo não antes previsto.

É importante salientar que não só dos marketplaces vive o Food Delivery. Com a concentração dos aplicativos em 5 o 6 players, o mercado de Food acabou se tornando um pouco refém das políticas de preços e os consumidores com a prestação de serviços.

Iniciativas de sites e apps próprios, cresceram também.

Muitas empresas de sistemas começaram a ver que há um filão por trás deste cenário, podendo criar soluções customizadas para os restaurantes.

Com este modelo, o restaurante pode oferecer um sistema de pedidos de delivery, via link ou site próprio, onde o consumidor acessa diretamente sua página e faz seu pedido. Soluções como GoomerGo, PedePronto, Neemo, entre várias outras tiveram bastante relevância neste momento, atraíndo a atenção não só dos Restaurantes, mas também de bons investidores.

O grande “senão” deste canal é que os restaurantes precisam ter a sua logística, ou contratá-la de terceiros, com empresas como Lalamove, Loggi ou a gigante DeliveryCenter, que tem montado hubs específicos nos Shopping Centers.

Brasil é o quinto em vendas online para Delivery

Não adianta falarmos toda esta história sem mostrar para onde este mercado está indo e alguns números bastate expressivos sobre ele. Veja abaixo:

Números globais

  • Valor total de vendas online do mercado global de USD 136,4 bilhões em 2020 com um aumento de 27% sobre 2019.
  • Mais de 1.6 bilhões de usuários globais é a marca prevista para 2021
  • Previsão de USD 182.3 bilhões de faturamento para 2024

A divisão dos Mercados Munidais — Brasil é o quinto em vendas online para Delivery

Geograficamente a China representa o maior mercado de pedidos delivery Online com mais de USD 51.5B em faturamento em 2020, Já o EUA vêm em segundo lugar com USD 28.4B, seguido pela Indica com aproximadamente USD 11.6B. O Reino Unido vem em quarto lugar com USD6.5 B e o Brasil em quinto lugar com USD 3.8B.

Sobre a geração Millenials e seus hábitos

  • 57% deles dizem preferir pedir comida em casa para assistir filmes e séries
  • 59% dos pedidos em restaurantes são delivery ou takeout
  • 45% diz se houver programas de fidelidade ou pedidos via celular fariam pedidos mais frequentes

33% dos consumidores (americanos) dizem que pagariam taxas maiores de entrega para receberem seus pedidos mais rápidos.

Poderia ficar aqui, por horas e horas falando sobre as aventuras no Food Delivery, dicas e how-to de várias situações, mas vou deixar meu canal aberto para quem quiser comentar aqui embaixo ou me chamar prum “chopp virtual” para falarmos mais.

A pandemia vai passar e o delivery vai continuar!

Espero que tenham gostado, deixem seu “like” aqui embaixo!

Marcio Blak, ajudando o mercado de software de Food, Varejo & Franquias a crescer

* Estatísticas baseadas em alguns artigos, como:

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